O cinema italiano sempre surpreendeu os amantes da sétima arte pelo seu realismo e, principalmente, pelo carisma de seus atores; que mesmo não tendo nascido em solo italiano, construiram carreiras inesquecíveis no cinema. Além disso, não se pode deixar de lado o talento dos inúmeros diretores que se destacaram pelas suas produções, muitas vezes simples, mas com resultados arrebatadores. Nomes como Michelangelo Antonioni, Roberto Benigni, Bernardo Bertolucci, Federico Fellini, Sergio Leone, Pier Paolo Pasolini, Roberto Rossellini, Ettore Scola, Vittorio De Sica, Giuseppe Tornatore, Luchino Visconti e tantos outros, deixaram suas marcas em filmes, muitas vezes desconhecidos pelo público em geral; que se tornaram verdadeiros clássicos, servindo de inspiração ao público jovem e até mesmo aos diretores mais experientes que estão sempre em busca de referências para suas produções. No post de hoje, farei uma homenagem ao renomado diretor Luchino Visconti, que "coleciona" em sua vasta filmografia, obras como Siamo donne (Nós, as Mulheres), Senso (Sedução da Carne), Rocco e i suoi fratelli (Rocco e seus Irmãos), Boccaccio '70, Il gattopardo (O Leopardo) e Belíssima.
Este último, lançado em 1951 fará parte do post de hoje. Estrelado por Anna Magnani, uma das maiores atrizes de todos os tempos (e umas das minhas preferidas), o filme gira em torno de Maddalena Cecconi (Anna Magnani) e sua filha Maria Cecconi (Tina Apicella) que está participando de um concurso. Arrastada pela mãe, que está em busca de um futuro promissor para a filha, e sonha em vê-la nas telas do cinema, a garota sofre as consequências, sem entender o que de fato está acontecendo. Visto como uma sátira às grandes produtoras cinematográficas da época, o filme conta com momentos de puro humor, mas também traz uma mensagem triste e realista das dificuldades enfrentadas pelas pessoas que decidem se arriscar na carreira artística.
Clássico indispensável, impressiona pela atuação marcante de Magnani, que até hoje é lembrada como uma das maiores atrizes de todos os tempos. O elenco ainda conta com os atores Walter Chiari interpretando Alberto Annovazzi, Gastone Renzelli, Tecla Scarano, Lola Braccini, Anton Giulio Bragaglia, Nora Ricci, Vittorina Benvenuti, Linda Sini, Teresa Battaggi, Gisella Monaldi e Amalia Pellegrini. Visualmente simples, o filme encanta pela relação entre mãe e filha, e emociona pelo desfecho inesperado. Obrigatório aos amantes da sétima arte e inesquecível aos que já assistiram.
Bastidores: Tina Apicella - A descoberta de Luchino Visconti
A história de Belíssima gira em torno de Marica Cecconi; uma garotinha simples, que se vê lançada a sorte em meio aos sonhos e devaneios da mãe, que deseja transformá-la numa atriz de cinema. Para o papel Visconti descobriu o talento da pequena Tina Apicella, que apesar da pouca idade, soube representar de forma magistral a personagem da trama. Curiosamente, apesar do sucesso alcançado pela obra de Visconti, Tina não deu sequência a carreira cinematográfica, limitando-se a trabalhos como modelo mirim por um certo período de sua vida.
Belíssima rendeu a Anna Magnani o prêmio Nastro d'Argento (Fita de Prata) na categoria de Melhor Atriz pela Italian National Syndicate of Film Journalists.






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